Atividade física e síndrome do pânico: qual a relação?

Uma das situações mais desafiadoras pra quem tem síndrome do pânico é fazer atividade física. Se você sofre com esse transtorno, provavelmente faz de tudo pra se manter longe da academia. Mas qual a relação da atividade física com a síndrome do pânico?

O que é a síndrome do pânico

A síndrome do pânico, tecnicamente chamada de Transtorno de Pânico, é um tipo de transtorno de ansiedade caracterizado pela ocorrência de ataques/crises de pânico inesperados e recorrentes, seguidos por uma preocupação com sua recorrência e suas consequências ou por uma significativa mudança de comportamento motivada pelos ataques. 

Ataque ou crises de pânico são episódios distintos de medo intenso, que surge subitamente e são acompanhados por, no mínimo 4 dos seguintes sintomas:

  • Palpitações ou frequência cardíaca acelerada
  • Uma sensação de engasgo
  • Falta de ar ou sensação de asfixia
  • Vertigens, instabilidade postural ou desmaios
  • Medo de morrer
  • Medo de enlouquecer ou de perder o controle
  • Dor ou desconforto no tórax
  • Sensações de irrealidade, estranhamento ou distanciamento do meio em que vive
  • Agitação ou arrepios
  • Náuseas, dores gástricas ou diarreia
  • Sensação de dormência ou formigamento
  • Sudorese
  • Tremores ou espasmos

Uma das características definidoras do Transtorno de pânico é um medo adquirido de certas sensações corporais, que lembram um ataque de pânico. Então, toda situação que possa evocar essas sensações desconfortáveis passam a ser evitadas, ou toleradas com grande sofrimento.

Como atividade física e pânico se relacionam

Uma dessas situações temidas é a prática de exercício físico. E o principal  motivo é que a atividade física dispara sensações fisiológicas (normais e esperadas) que lembram aquelas que a pessoa sentiu quando teve um ataque de pânico. Paradoxalmente, o medo dessas sensações deixa a pessoa mais vulnerável àquilo que ela quer evitar. Ao evitar, ocorre um alívio imediato da ansiedade. Mas quanto mais ela evita, mais difícil fica encarar a situação da próxima vez. 

Perceba que o problema não é o exercício físico em si, que aliás, é sempre recomendado, com a devida liberação médica. Mas é a reação de ansiedade que se tem diante da atividade física que causa sofrimento. A preocupação de que a qualquer momento aquelas sensações físicas levem a um ataque de pânico ou algo mais grave acaba intensificando essas sensações, levando a mais apreensão, disparando assim o ciclo que leva à temida crise de pânico.

Portanto, a solução não está em deixar de fazer atividade física, mas sim em intervir para quebrar o ciclo que te mantém preso na ansiedade e no pânico.

Atualmente, a intervenção mais eficaz para o transtorno de pânico é a Terapia Cognitivo Comportamental, onde ocorre um treino de habilidades que vão ajudar a diminuir a ansiedade e a ocorrência de ataques de pânico e facilitar o enfrentamento destes, caso venham a ocorrer.

E o exercício físico acaba sendo uma ótima oportunidade para praticar essas habilidades trabalhadas na terapia.

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